Uma série de equipamentos expostos no evento principal da SNCT auxiliam essas pessoas a terem mais qualidade de vida no dia a dia.

As tecnologias assistivas, que ajudam pessoas com deficiência a superarem limitações e terem acesso a seus direitos, foram um dos destaques do evento principal da 15ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Brasília (DF). Durante toda a semana, os visitantes da feira científica tiveram a oportunidade de conhecer uma série de equipamentos que facilitam o dia a dia dessas pessoas.

A startup Neurobot, por exemplo, expôs um exoesqueleto que ajuda vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) a recuperarem os movimentos das mãos e dos braços. Em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), eles desenvolveram uma terapia que ajudou na reabilitação de mais de 20 pacientes. A solução foi desenvolvida a partir da participação da empresa no programa Start-Up Brasil, do MCTIC.

O diretor-executivo da Neurobot, Júlio Dantas, explica que os pacientes tratados com a tecnologia ganharam, em média, 40% de mobilidade em duas semanas.

“A pesquisa na UFPE nos ajudou a visualizar os ganhos dos pacientes. Após o tratamento, eles vieram nos agradecer, disseram que o dia a dia melhorou muito e nos pediram para desenvolver algo para os membros inferiores. Isso nos deixou felizes e mostrou que estamos no caminho certo”, afirmou Dantas.

Outra aplicação exposta na SNCT foi um teclado acessível que ajuda pessoas com mobilidade reduzida e com dificuldades cognitivas a usarem o computador. Produzido pelo Grupo Actcon, o equipamento funciona associado a plataformas educacionais e permite a esse público o acesso à informação e a autonomia para passarem pela educação formal. A tecnologia pode ser usada por meio do toque em botões ou com a detecção de piscadas do olho.

Alexandre Assis, diretor do grupo, conta que a tecnologia foi desenvolvida no Brasil e hoje já é usada nos Estados Unidos. “Foi um trabalho conjunto que desenvolvemos com outras duas empresas. Tudo começou o Gleisson Fernandes, portador de paralisia cerebral, que inventou o equipamento. Conseguimos unir a ideia que ele teve com as plataformas educacionais. O resultado tem sido bastante positivo pelo que acompanhamos, vemos na prática como esse equipamento tem ajudado os pacientes”, explica.

Acesso às leis

Com o uso de nove impressoras em braile, o Senado Federal tem transcrito importantes obras jurídicas e de literatura. O processo de conversão dos livros comuns utiliza o programa Braille Fácil, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e emprega revisores com deficiência visual, que conferem as obras antes da impressão final.

Os livros ficam disponíveis na biblioteca da instituição e também são distribuídos a organizações que atendem deficientes visuais. Para a assessora de Qualidade e Logística da Diretoria Geral do Senado, Lucyana Vega, o objetivo da iniciativa é garantir o acesso à informação.

“A lei é feita para todos, então nós temos que dar acesso a todos. A Constituição, que é um livro fino, ocupa seis volumes no braile e, hoje, nós temos as principais leis em braile: o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Lei Maria da Penha, e o Código Penal, por exemplo”, afirmou.

Apoio

Desde 2005, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) tem uma política direcionada a essas iniciativas por meio de editais e parcerias. A diretora de Políticas e Programas de Inclusão Social do MCTIC, Sonia da Costa, explicou que já foram R$ 200 milhões investidos em 10 editais.

“Nós temos chamadas via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que apoiou mais de 100 propostas de parceria entre academia e empresas, e projetos via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em que já implantamos 108 núcleos intersetoriais dentro das universidades”, descreveu.